Artigo escrito em janeiro de 2026.
Estamos vivendo um momento de polarização política, tanto no Brasil quanto no mundo: de um lado os defensores da direita, de orientação conservadora, e de outro os defensores da esquerda, que vislumbram valores com apelo mais social.
E no meio, claro, uma legião de pessoas que claramente discordam de tudo isso ou se sentem desconfortáveis com o binarismo.
Meu objetivo aqui não é discutir quem está certo ou errado, mas sim, tentar abrir a compreensão sobre o que leva as pessoas a fazerem tais escolhas.
O que significam “direita”, “esquerda” e “terceira via”
Direita
A orientação política de direita valoriza tradição, ordem social, liberdade econômica e propriedade privada. Costuma defender menor intervenção do Estado, priorizar o mérito individual e manter estruturas sociais vistas como naturais ou funcionais.
No contexto brasileiro e latino-americano, a direita também tende a se associar a discursos de “lei e ordem”, valores culturais e religiosos tradicionais, e uma visão de sociedade que preza pela estabilidade e continuidade.
Esquerda
A esquerda, por sua vez, enfatiza igualdade social, justiça redistributiva e uma atuação mais ativa do Estado na promoção do bem-estar coletivo. Valoriza os direitos humanos, a diversidade e políticas voltadas à redução das desigualdades econômicas e culturais.
Historicamente, a esquerda se associa a movimentos sociais, sindicatos, e lutas por inclusão e representatividade.
Terceira via ou independentes
Entre os dois polos, há os que se consideram “nem direita nem esquerda”, ou defensores de uma terceira via. Esses indivíduos frequentemente valorizam liberdade individual combinada com justiça social, rejeitam os extremos ideológicos e preferem posturas equilibradas.
“A terceira via representa mais uma tentativa de síntese ética e racional entre o ideal de igualdade e a necessidade de liberdade.” — Anthony Giddens (1998), The Third Way
Independentes e “Terceira Via”
Os que rejeitam rótulos e se posicionam entre os extremos costumam demonstrar flexibilidade cognitiva e menor necessidade de fechamento ideológico. Podem sentir desconforto com posturas dogmáticas e preferir decisões baseadas em contexto, não em identidade política fixa.
“As pessoas que se dizem apolíticas não são menos políticas — apenas expressam o desejo psicológico de evitar a ansiedade que o conflito ideológico produz.” — Jonathan Haidt, The Righteous Mind, 2012
Limitações e nuances
Embora exista correlação entre traços de personalidade e orientação política, isso não significa determinismo psicológico. Personalidade é apenas um dos fatores que influenciam a escolha política; experiências de vida, contexto cultural, educação e acontecimentos históricos exercem impacto igualmente importante.
Além disso, como observa o psicólogo John Jost,
“as ideologias são sistemas motivacionais complexos — não extensões da personalidade.”
(Jost, 2017, Psychological Science)
Em culturas diferentes, a relação entre traços e ideologia varia. O que é considerado “conservador” em um país pode ter outro significado em outro contexto histórico.
Síntese e reflexão final
Quando observamos que alguém se posiciona à direita, à esquerda ou em posições intermediárias, parte dessa escolha pode refletir como a pessoa é estruturada psicologicamente — e não necessariamente, seu caráter ou sua idoneidade moral.
Lembremos que as ideologias passam. As pessoas, os afetos, as lembranças ficam.
Compreender essas dinâmicas ajuda a perceber que a polarização política não é apenas disputa de ideias, mas também de modos de ser e perceber o mundo. Em vez de buscar vencedores, talvez devêssemos buscar empatia cognitiva: entender o que leva o outro a pensar como pensa.
“Entender o outro não é concordar com ele, mas reconhecer que ele também é resultado de uma história, uma cultura e uma mente em funcionamento.”
— Adaptado de Jonathan Haidt (2012)
Referências bibliográficas
- Carney, D. R., Jost, J. T., Gosling, S. D., & Potter, J. (2008). The Secret Lives of Liberals and Conservatives: Personality Profiles, Interaction Styles, and the Things They Leave Behind. Political Psychology.
- Jost, J. T., Glaser, J., Kruglanski, A. W., & Sulloway, F. (2003). Political Conservatism as Motivated Social Cognition. Psychological Bulletin, 129(3), 339–375.
- Oxley, D. R., et al. (2008). Political Attitudes Vary with Physiological Traits. Science, 321(5896), 1667–1670.
- Haidt, J. (2012). The Righteous Mind: Why Good People Are Divided by Politics and Religion. Vintage Books.
- Giddens, A. (1998). The Third Way: The Renewal of Social Democracy. Polity Press.
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