Psicóloga Maristela Vallim Botari CRP-SP 06-121677

Como  a terapia pode ajudar a lidar com a Rejeição social


A rejeição social é um sentimento que pode ser considerado normal em muitos contextos. No entanto, quando pequenas rejeições passam a ocupar um espaço desproporcional na vida emocional, ou quando episódios repetidos de exclusão começam a se tornar frequentes, é importante estar atento.

A rejeição deixa de ser uma experiência pontual e passa a ser um sofrimento persistente quando começa a afetar a autoestima, os relacionamentos e a maneira como a pessoa se percebe no mundo. 

Nesses casos, buscar ajuda emocional pode ser uma alternativa para compreender o que está acontecendo e desenvolver recursos internos mais saudáveis.


A Dor da Exclusão

A chamada “dor da exclusão” não é apenas uma metáfora emocional — ela tem base neurobiológica bem documentada.

Pesquisas em neurociência social, especialmente as conduzidas por Naomi Eisenberger na University of California, Los Angeles, demonstraram que a rejeição social ativa regiões cerebrais associadas ao processamento da dor física, como o córtex cingulado anterior dorsal e a ínsula anterior. Em um estudo clássico publicado na revista Science (2003), utilizando o experimento virtual “Cyberball”, participantes excluídos socialmente apresentaram ativação nessas áreas cerebrais semelhantes àquelas ativadas durante experiências de dor física.

Além disso, uma meta-análise publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) reforçou a ideia de que há sobreposição neural entre dor física e dor social, ainda que os mecanismos não sejam completamente idênticos.

Estudos complementares também sugerem que analgésicos comuns podem reduzir a intensidade da dor social percebida. Uma pesquisa publicada na revista Psychological Science (2010) mostrou que o uso de paracetamol reduziu relatos de dor social ao longo de algumas semanas, oferecendo evidência adicional da conexão entre dor física e rejeição social.

Principais fontes:

  • Eisenberger, N. I., Lieberman, M. D., & Williams, K. D. (2003). Does rejection hurt? An fMRI study of social exclusion. Science, 302(5643), 290–292.

  • Eisenberger, N. I. (2012). The pain of social disconnection. Nature Reviews Neuroscience, 13(6), 421–434.

  • DeWall, C. N. et al. (2010). Acetaminophen reduces social pain. Psychological Science, 21(7), 931–937.

  • Meta-análises sobre dor social publicadas na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Essas evidências reforçam que a rejeição não é apenas um desconforto psicológico abstrato — ela mobiliza sistemas cerebrais fundamentais relacionados à sobrevivência e ao vínculo social, explicando por que a exclusão pode ser sentida de maneira tão intensa e, às vezes, fisicamente dolorosa.


Como a Psicoterapia pode compreender este fenômeno? 

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) entende a dor da exclusão como uma experiência emocional intensa que é amplificada — ou atenuada — pela forma como a pessoa interpreta o que aconteceu.

O modelo foi desenvolvido por Aaron T. Beck, onde a interpretação importa mais que o evento.

Diante de uma exclusão, diferentes interpretações geram diferentes níveis de dor:

  • “Não fui convidado porque ninguém gosta de mim.”

  • “Isso prova que sou inadequado.”

  • “Talvez tenham tido um motivo específico.”

A TCC chama atenção para distorções cognitivas comuns nesses momentos, como:

  • Leitura mental (“Eles acham que sou chato.”)

  • Personalização (“Foi culpa minha.”)

  • Generalização excessiva (“Sempre serei excluído.”)

  • Catastrofização (“Isso é horrível, não vou suportar.”)

Essas interpretações ativam emoções de tristeza, vergonha e ansiedade — e podem levar a comportamentos de evitação social, reforçando o ciclo de solidão.

Segundo essa abordagem, não é apenas o evento (a rejeição) que determina o sofrimento, mas principalmente os pensamentos automáticos e as crenças centrais ativadas por ele.





 Conteúdo informativo desenvolvido pela Psicóloga Maristela Vallim Botari

CRP-SP 06-121677, sem a finalidade de substituir a consulta psicológica, nem esgotar o tema.

 Como a psicóloga pode ajudar nesse processo

Na psicoterapia, o trabalho é organizado de modo a possibilitar a identificação de padrões emocionais e comportamentais que se repetem ao longo da história do indivíduo, afetando relacionamentos, autoestima ou bem-estar emocional. Também envolve a análise das circunstâncias em que determinadas reações surgem, incluindo seus contextos e possíveis gatilhos.

São examinadas as formas de interpretação das situações e a maneira como a pessoa se percebe dentro de suas relações. Recursos psicológicos de enfrentamento podem ser explorados dentro do enquadre clínico, assim como questões relacionadas a posicionamento pessoal e clareza interna.

O processo é conduzido de maneira individualizada, considerando a singularidade de cada trajetória e o ritmo próprio de elaboração.

Atendimento em Terapia Cognitivo-Comportamental com Acolhimento Humanizado

Importante destacar que a psicoterapia não substitui cuidados médicos quando necessários, nem elimina completamente emoções difíceis — que fazem parte da experiência humana. Em vez disso, ela pode oferecer um momento estruturado para elaborar vivências, ampliar perspectivas e construir novas possibilidades de resposta diante das dificuldades.


 

 

Psicóloga SP Maristela Vallim Botari

CRP-SP 06-121677


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