A Neurobiologia e as Fases do Luto nos relacionamentos amorosos
Psicóloga Maristela Vallim Botari
CRP-SP 06-121677
Índice do Conteúdo:
1. A Neurobiologia da Perda Amorosa
Quando um vínculo é interrompido, o cérebro pode reagir de forma semelhante à abstinência química.
Segundo os estudos de Elisabeth Kübler-Ross a separação pode provocar quedas bruscas nos níveis de dopamina e ocitocina, substâncias responsáveis pelas sensações de prazer e segurança.
Pesquisas em neurociência — como as conduzidas por Helen Fisher — sugerem que a rejeição amorosa e a separação ativam áreas cerebrais associadas ao desejo, ao vínculo e à dependência, indicando que o rompimento pode ser processado, em parte, como uma forma de “privação” relacional.
Estudos também apontam que a separação pode estar associada a quedas nos níveis de dopamina e ocitocina, substâncias relacionadas às sensações de prazer, motivação e segurança emocional. Ao mesmo tempo, pode ocorrer aumento do cortisol, o hormônio do estresse, com ativação de regiões cerebrais envolvidas no processamento da dor física, como o córtex somatossensorial secundário e a ínsula dorsal posterior.
Esse conjunto de respostas ajuda a compreender por que a dor da perda pode ser percebida de forma corporal e intensa, podendo vir acompanhada de sensações como aperto no peito, apatia, tristeza profunda e angústia — variando em forma, intensidade e duração conforme a história e os recursos emocionais de cada pessoa.
2. Os 5 Estágios do Luto Afetivo
Segundo os estudos pioneiros de Elisabeth Kübler-Ross, atravessamos estágios que nos auxiliam a processar a perda de alguém (ou algo) e reorganizar nossa identidade sem o outro.
Ela aponta que existem cinco estágios do Luto: Negação, raiva, barganha, tristeza e aceitação.
Nesta fase do luto pessoa tende a se recusar a acreditar na perda e pode buscar informações para tentar encontrar uma explicação para o ocorrido. É como se houvesse uma resistência em aceitar a realidade da situação.
Segundo a própria Kübler-Ross: "A negação é mais do que simplesmente uma recusa em acreditar no fato de que alguém ente querido se foi. É uma espécie de amortecedor psicológico que nos ajuda a amortecer o impacto inicial do fato".
Pode ser um momento de orações ou promessas para que tudo se resolva.
Kübler-Ross destaca que "as pessoas podem fazer promessas extravagantes na esperança de que nada disso tenha acontecido. Essa negociação pode ser uma maneira de lidar com a dor”.
Depois vem a fase da depressão. A pessoa pode sentir uma tristeza profunda, podendo ainda perder o interesse nas atividades cotidianas e sentir o vazio em sua vida.
Kübler-Ross afirma que "a fase da depressão é quando tudo se torna real e quando a pessoa percebe que a negação, a raiva e a barganha não vão funcionar. É um momento em que há muita dor e sofrimento, mas é uma fase necessária para a recuperação".
Por fim, vem a fase da aceitação. É quando a pessoa finalmente aceita a perda e compreende que é uma parte natural do ciclo da vida. Embora a dor ainda possa estar presente, a pessoa tende a se adaptar à nova realidade e a seguir em frente.
Kübler-Ross diz que "a aceitação não significa que a pessoa tenha superado completamente a perda, mas sim que ela começa a aceitar que essa pessoa ou coisa que ela amava não está mais presente em sua vida".
3. Técnicas da TCC Aplicadas ao Luto
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) — utiliza ferramentas estruturadas que podem auxiliar na travessia de momentos dolorosos, como uma ruptura afetiva.
As intervenções são adaptadas a cada caso e não constituem promessa de resultado, mas possibilidades de manejo. Entre elas, estão incluídas:
-
Ativação Comportamental: pode envolver a reintrodução gradual de atividades que favoreçam sensação de domínio ou interesse.
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Reorganização da vida: pode ajudar a organizar decisões e ações práticas no presente, favorecendo adaptação à nova rotina após o término.
A escolha e o ritmo das técnicas dependem da avaliação clínica e das condições de cada pessoa.
4. As cinco fases do Luto amoroso
O fim de um relacionamento frequentemente mobiliza um processo de reorganização da identidade.Essa reorganização tende a não ser imediata. Em muitos casos, pode ocorrer como um desligamento gradual das marcas do outro, começando por aspectos mais concretos — rotinas, objetos, horários, programas — e, com o tempo, alcançando camadas mais profundas, como projetos de vida, referências afetivas e narrativas pessoais.
Esse percurso pode, em parte, se aproximar das chamadas fases do luto, descritas por Elisabeth Kübler-Ross, entendidas hoje como possíveis estados emocionais — não etapas fixas nem obrigatórias. Após uma ruptura, a pessoa pode experimentar, em diferentes ordens e intensidades:
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negação, com sensação de irrealidade ou dificuldade de aceitar o fim
-
raiva, que pode se dirigir ao ex-parceiro, a si ou à situação
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barganha, com pensamentos do tipo “se tivesse feito diferente…”
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tristeza, com retraimento e maior sensibilidade emocional
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aceitação, quando a realidade do término passa a ser mais integrada
Nem todos vivenciam todas essas fases, e elas não necessariamente seguem sequência linear — podem alternar e até coexistir.
No processo de reconstrução identitária, podem estar envolvidos movimentos como:
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revisão de papéis e expectativas que estavam vinculados ao vínculo
-
retomada gradual de interesses pessoais possivelmente deixados em segundo plano
-
reconstrução de autonomia nas decisões cotidianas
-
redefinição de valores e prioridades
-
atualização da própria história — integrando a relação vivida sem que ela defina toda a identidade
Também pode haver oscilações entre maior clareza e momentos de saudade ou idealização. Essas variações podem ser compatíveis com o processamento emocional e não indicam, por si só, retrocesso.
O foco tende a não ser “apagar” a experiência, mas integrá-la de forma menos central, permitindo que a identidade se torne novamente mais ampla do que o relacionamento encerrado.
Como a Psicóloga pode ajudar
A psicoterapia pode favorecer compreensão de padrões, fortalecimento de recursos pessoais e construção de uma narrativa mais flexível sobre si e sobre os vínculos — dentro do ritmo e das condições de cada pessoa.
Conclusão
REFERÊNCIAS
DICIONÁRIO Aurélio.
Amor.
[Online]. Disponível Em Http://Www.Dicionariodoaurelio.Com/Amor.Html.
Acesso Em 23 De Junho De 2013.
FABICHACK, Cibele.
Amor, Sexo, Endorfinas E Bobagens.
São Paulo, 2010.
FISHER, Helen E.; BROWN, Lucy L.; ARON, Arthur; STRONG, Greg; MASHEK, Debra. Reward, addiction, and emotion regulation systems associated with rejection in love. Journal of Neurophysiology, v. 104, n. 1, p. 51–60, jul. 2010. doi:10.1152/jn.00784.2009.
FROMM, Erich.
A Arte De Amar.
São Paulo. Martins Fontes. 1971
KÜBLER-ROSS, E.
Sobre A Morte E O Morrer.
8.Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
SOUZA, Tuhany Barbosa.
Amor Romântico.
Monografia de Conclusão De Curso.
Uniceub, 2007.
Leituras Recomendadas
Sobre o Atendimento
Referências Técnicas:
FABICHACK, C. Amor, Sexo, Endorfinas E Bobagens. 2010.FROMM, E. A Arte De Amar. São Paulo: Martins Fontes, 1971.
KÜBLER-ROSS, E. Sobre A Morte E O Morrer. 1998.
SOUZA, T. B. Amor Romântico. Monografia Uniceub, 2007.
Conteúdo informativo desenvolvido pela Psicóloga Maristela Vallim Botari
CRP-SP 06-121677, sem a finalidade de substituir a consulta psicológica, nem esgotar o tema.
Atendimento em Terapia Cognitivo-Comportamental com Acolhimento Humanizado, foco nas necessidades de cada pessoa.
Terapia Cognitivo-Comportamental: Fornece elementos para possível identificação e modificação de pensamentos disfuncionais que podem estar afetando a saúde emocional.
Acolhimento Humanizado: Tende a permitir que a consulta psicológica ocorra de forma mais natural, eliminando julgamentos de valor e focando na dignidade do indivíduo.
Psicóloga SP Maristela Vallim Botari
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